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TEXTOS E IMAGENS SOBRE A HISTÓRIA DE IBIRACI

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CALENDÁRIO CÍVICO MUNICIPAL DE IBIRACI

Datas referenciais para a História de Ibiraci.

 

12 DE JANEIRO  -  (Dia da Tomada pelos Mineiros)
No dia 12 de janeiro de 1816, forças militares mineiras, a mando da Câmara de Jacuhy, “deitam abaixo” o quartel paulista do Aterrado (hoje, região da Capela de N.Sa. Aparecida do Morro dos Quartéis) e avançam o marco da divisa até o rio Canoas, incorporando o Aterrado à Capitania de Minas Gerais.

06 DE ABRIL –  (Dia da Instalação do Município)
No dia 06 de abril de 1924 foi implantado o município de Ibiraci, emancipado por lei estadual 843 de 07 de setembro de 1923.

07 DE SETEMBRO –  (Dia da Emancipação Municipal)
No dia 07 de setembro de 1923 é promulgada a Lei 843 que emancipa o Distrito de Dores do Aterrado, que é elevado à condição de município, contendo a sede e o Distrito do Garimpo das Canoas. 

15 DE SETEMBRO – (Dia da Padroeira)
No dia 15 de setembro é celebrado o dia de Nossa Senhora das Dores, padroeira de nossa cidade desde 1850.

01 DE OUTUBRO  -  (Dia da Fundação )
No dia 01 de outubro de 1824 foi celebrada a primeira missa na Capela de Santa Maria Magdalena do Aterrado. É o dia da fundação de nossa cidade, que até então era um povoado sem documentação própria e tinha seus registros feitos no Livro de Tombo de Jacuhy.

15 DE NOVEMBRO – (Dia da Criação da Comarca)
No dia 15 de novembro de 1948, foi criada a Comarca de Ibiracy.

 

                                                                    José Limonti Junior - PROBRIG

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A HISTÓRIA DE IBIRACI

         Além dos motivos naturais de identidade e raiz que a nós ibiracienses importa, a nossa história tem uma relevância que transcende e supera os nossos limites regionais.

Naquele dia, Hipólito (Antonio Pinheiro, fundador de Franca), Arlindo e mais catorze homens encontram-se na região do Aterrado (hoje Ibiraci), emboscados em meio à mata. Logo, avistam os mineiros, que, instigados pela Câmara de Jacuí, teimam em arrancar os marcos da divisa. E era exatamente o que faziam quando, vendo a desfeita a São Paulo, Hipólito e seus companheiros e seus comandados abrem fogo com seus bacamartes, o cheiro de pólvora a povoar o ar úmido da mata. Espavoridos, relincham os cavalos, atirando um deles ao solo, o que parecia ser o chefe, e respondem ao fogo. O chumbo corta folhagens e galhos, machuca árvores, estampidos e barulhos cortam a floresta, mas providencialmente não há feridos. Em menor número, assustados com a reação paulista, os mineiros de Jacuí batem em retirada, rápida e estratégica. E logo depois, pelas vias civilizadas, diplomáticas, o Senhor Conde de Palma, então Governador de São Paulo, oficia a Dom Manuel de Portugal e Castro, Governador das Minas Gerais, protestando contra a atitude da gente de Jacuí, ambiciosa a ponto de querer incorporar ao seu território o da Conceição da Franca”. (FERREIRA, Mauro. Franca Itinerário Urbano. São Paulo, Laboratório das Artes, 1983.) p.19-20

“Assim não julgou o Governador de Minas, que reprehendeu asperamente a Câmara e mandou restituir o marco à sua posição antiga. Pelos documentos à mão não se pode saber se a Câmara de Jacuhy,  conseguiu do governador a revogação desta ordem, ou se, inscrevendo-a “em registro avulso”, deixou simplesmente de observá-la. A Câmara de Mogymirim, por ordem do governador, lavrou o competente protesto e a de Jacuhy ficou com a cobiçada posse do distrito do Aterrado”. (DERBY, Orville Adelbert. Documentos Interessantes para a História e Costumes de S.Paulo vol.XI . São Paulo, Typ. A Vap.Espíndola, Siqueira & Comp, 1896.) p.LXXXVII

“O sistema colonial não tendia somente a empobrecer o Brasil; tinha ainda uma finalidade mais odiosa, a de dividi-lo. Semeando germens de desunião entre as províncias, a metrópole esperava conservar por mais longo período esta superioridade de forças que lhe era necessária para exercer sua tirania. Cada capitania tinha seu sátrapa, cada qual com seu  pequeno exército; cada um com seu pequeno tesouro”. (SAINT-HILAIRE, Auguste de. Viagem pelo Distrito dos Diamantes e litoral do Brasil. Belo Horizonte, Ed.Itatiaia; Ed. da Universidade de São Paulo, 1974.) p. 213

Pelas citações acima, percebe-se que estudar e conhecer a História de Ibiraci é relevante para a compreensão da História regional e nacional, devido à sua condição de marco de fronteira entre as capitanias de Goyaz, Minas Geraes e São Paulo; o Desemboque, o Aterrado, Santa Maria Magdalena do Aterrado, Dores do Aterrado e hoje, Ibiraci, esteve por mais de 150 anos, no centro de uma disputa por território e pela riqueza de seus garimpos de ouro e diamante. Hoje percebemos contudo, que claramente um dos motivos mais fortes pela demarcação da fronteira entre as capitanias e seus avanços para o oeste, era o interesse do fisco da Coroa em arrecadar os tributos dos novos descobertos da nossa região. Fatos ocorridos nos últimos 200 anos estão sendo hoje reconhecidos e compreendidos através de documentos, mapas e resíduos arqueológicos e farão da história de Ibiraci, uma das mais bem documentadas da região.
Figuras como o Cap. Pedro Franco Quaresma, Cap. Hipólito Antonio Pinheiro, Cap. Felizardo Antunez Cintra, Padre Fortunato José da Costa, Cap. Antonio Dionízio de Lima, Da.Maria Amélia de Vassimon, Te. José Vicente Evilázio de Lima, Cel. Themóteo Joaquim de Andrade, etc; devem ter suas biografias conhecidas por todos nós, para que então compreendamos a trajetória marcante que está sendo reconstruída, desde o antigo Desemboque até a Ibiraci dos nossos dias.
As datas cívicas municipais precisam incorporar o dia da fundação de Santa Maria Magdalena do Aterrado, 01 de outubro de 1824; 28 de junho de 1850, quando é elevada a Freguezia de Nossa Senhora das Dores do Aterrado; a elevação a município em 07 de setembro de 1923 e a instalação da comarca em 15 de novembro de 1948.
A instalação do município em 06 de abril de 1924 é certamente uma data referencial mas não podemos esquecer que “... já em 1786 diversos moradores se tinham estabelecido no lugar chamado Aterrado, situado entre a estrada de Goyaz e o ponto Desemboque designado por Luiz Diogo Lobo como limite das capitanias”. ( DERBY, Orville Adelbert. Documentos Interessantes para a História e Costumes de S.Paulo vol.XI . São Paulo, Typ. A Vap.Espíndola, Siqueira & Comp, 1896. ) p.LXXXVI

José Limonti Junior

 

 

 

 

 

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História de Ibiraci

 

         Os primeiros registros documentais da nossa cidade de Ibirací são, até o momento, os mapas e relatos de viagens de meados do século XVIII. A definição da fronteira sul da Capitania de Goiás, com a de São Paulo e a de Minas Gerais, dava-se num acidente geográfico inconfundível : o Desemboque do rio Grande ou Paraná. Neste ponto único em todo o percurso do rio, este se estreitava numa pequena garganta com pouco mais de dez metros e a partir daí percorria cerca de 10 léguas entre paredões rochosos com 300 ms de altura.  Este lugar tornou-se uma referência segura para todas as expedições que abriam as “picadas militares” quase sempre sobre as trilhas indígenas que teciam uma rede de comunicação no entorno da bacia do rio Grande, oferecendo à esta época possibilidades de exploração dos garimpos goianos, dos novos descobertos do Desemboque e de descaminho e fuga das rotas dos registros da região. Importante lembrar que nesta época o atual Desemboque (distrito de Sacramento), chamava-se Julgado de Nossa Senhora do Desterro das Cabeceiras do Rio das Abelhas, só aparecendo na cartografia como Desemboque na virada do século.
         A Capitania de Minas Gerais, já nesta época ( por volta de 1750), fazia esforços para incorporar a área sul da Capitania de Goiás até a margem direita do rio Pardo. Com o enfraquecimento e desaparecimento da Capitania de São Paulo (entre 1748 a 1765), os mineiros ainda enfrentaram a oposição do Bispado de São Paulo que reafirmava sua posse na região do Desemboque (1761) e a presença de sertanistas paulistas experientes e influentes na área como Pedro Franco Quaresma.
         Apesar de que a Linha Tomaz Rubin (1749) determinasse a divisa entre Minas Gerais e São Paulo desde o Morro do Lopo, por cordilheiras não muito conhecidas “até topar com o rio Grande”, no ponto Desemboque, a posse mineira da região se efetivou apenas em 1764 com a expedição do Governador mineiro Luis Diogo Lobo da Silva, que anexou à Capitania de Minas : “... de Jacuhy até o sítio chamado Desemboque...”(1)
         A partir daí, várias expedições de “limpeza” foram enviadas à região para expulsar e dizimar garimpeiros “vadios” e quilombolas.
         Grandes expedições, como as de Inácio Correa de Pamplona, enviavam agrupamentos menores em missões pontuais para dizimar povoados e arraiais que se formavam nas faisqueiras recém descobertas. (2)
         Para a história de Ibiraci é relevante saber que no ponto Desemboque, à margem esquerda do rio Grande (onde hoje está a Usina Mal.Mascarenhas de Moraes, antiga Peixoto), existia um povoado que é referido em mapas (3) e documentos (4), até o seu último registro num mapa de 1782 (5). A partir daí, o que pode ser resultado de uma ação de extermínio ou “limpeza”, passamos a encontrar um povoado na parte alta do nosso município (onde hoje se localiza a cidade) com o nome de Aterrado. Este povoado localizava-se na parte paulista (aquém da Linha Luiz Diogo Lobo, ou a Serra do Itambé) e ficava às margens do Ribeirão do Oiro, cujas lavras, identificadas em mapa por volta de 1760, atestam a época dos primeiros garimpeiros na região. Por esta época, o termo “aterrado” era comumente usado para definir os indivíduos expulsos de suas lavras pelos mineiros e equivale a assustado ou aterrorizado (6).
         O povoado do Aterrado pertenceu a Mogi Mirim, até a criação da Vila Franca em 1805. O Cap. Hipólito Antonio Pinheiro, ao encaminhar ofício ao Governador paulista Antonio José da Franca e Horta e pedir autorização para fundar Franca, pede também autorização para construir um Quartel de guardas no Aterrado e outro na Lagoa Rica, para deter os mineiros em sua intenção de avançar sobre a capitania de São Paulo (7).
         O Quartel do Aterrado, situado uma légua a leste do povoado ficou posicionado exatamente sobre uma linha imaginária que liga o Morro Selado ao Desemboque no rio Grande, conforme a divisa que prevalecia então. Os mineiros, dois anos depois, também fizeram um aquartelamento de homens a menos de um quilômetro de distância e ambos ficaram durante 9 anos em vertentes opostas com controle visual um do outro (o local se chama Fazenda Quartéis). Em 12 de janeiro de 1816, contudo, forças mineiras “deitaram abaixo” o Quartel paulista do Aterrado e avançaram 5 léguas dentro da Capitania de São Paulo, colocando os marcos na margem do rio Canoas. A ação, atribuída à Câmara de Jacuí, tinha o claro respaldo do Governador mineiro, Dom Manoel de Portugal e Castro, ainda que este não o admitisse na época, e do próprio Rei, como se observa na Carta Patente do Cap. Felizardo Antunes Cintra, Capitão de Ordenanças que comandou um pequeno exército de 60 soldados mais seus oficiais com a missão de ocupar o Distrito do Aterrado, o que o fez até sua morte em 1842, com uma credencial especial : “... enquanto eu (o Governador) o houver por bem e o Mesmo Senhor ( o Rei) não mandar o contrário”. (8)
         O Conde de Palma (Francisco de Assis Mascarenhas), governador da Capitania de São Paulo, que havia negado um aumento na guarda do Quartel solicitado pelo Cap. Hipólito, um mês antes da ocupação, não autoriza uma retaliação por parte de Mogi Mirim ou de Franca e encarece as ações políticas, mantendo rica correspondência sobre o assunto com D.Manoel. Na verdade nada se modificou e o Aterrado que a Câmara de Franca reclama durante mais de 80 anos se tornou mineiro definitivamente. Se houve a necessidade de uma ação armada no Aterrado, no dia 04 de abril do mesmo ano, um Alvará Régio incorporou sem lutas, o sul de Goiás a Minas, transformando-o no Triângulo Mineiro. Percebe-se que se tratava de uma estratégia da Coroa para definir as fronteiras da Capitania de Minas, única que de fato tinha um sistema de arrecadação eficaz para controlar os novos descobertos da região.
         O Capitão Felizardo Antunes Cintra, a partir da ocupação em 12 de janeiro de 1816, busca conseguir a Provisão Eclesial para a ereção da Capela. Como a área permanecia eclesiasticamente ligada ao Bispado de São Paulo, iniciou uma correspondência entre 1817 e 1824 com o Bispo Dom Matheus de Abreu Pereira, até que no dia 01 de outubro de 1824 foi celebrada a primeira missa na Capela de Santa Maria Magdalena do Aterrado e abençoado seu primeiro cemitério.
         Em 1832, na lista de povoamento, o Capitão Felizardo figurava como o Juiz de Paz do Distrito.
         Pelo seu empenho em erigir a Capela do Aterrado, para cumprir as ordens de ocupação e pelos 26 anos que permaneceu no comando do local, até sua morte, o Capitão Felizardo Antunes Cintra pode ser considerado o fundador de Santa Maria Magdalena do Aterrado.
         Em 28 de junho de 1850, com a mudança da padroeira (de Santa Maria Magdalena para Nossa Senhora das Dores), acontece a elevação a Freguezia pelo Parágrafo 2º do artigo 1º da Lei no 497.
         A partir de 1.816 o Distrito passou a pertencer a Jacui, até a instalação da Câmara de Passos, em 1.850 quando foi eleito vereador do Distrito o Padre Fortunato José da Costa.
         Foi incorporado ao município de São Sebastião do Paraíso por Lei no 2.784 de 22 de setembro de 1.881.
         Foi incorporado ao município de Santa Rita de Cássia por Dec.no 21 de 26 de fevereiro de 1.890.
         Foi elevado a município com o nome de Ibiracy, por lei no 843 de 07 de setembro de 1.923, compreendendo os distritos da sede e Garimpo das Canoas (atual Claraval), o qual perde em 1.953 (Lei est.no 1.039 de 12de dezembro de 1.953.
         Foi elevado a cidade pela Lei est. 893 de 10 de setembro de 1.925.
         No dia 09 de agosto de 1.936 foi instalado o 1º Governo Municipal de Ibiracy que oficializou o Cel. Temóteo Joaquim de Andrade como o primeiro Prefeito Municipal para o período 1.936/1.940.
         É instalada a Comarca de Ibiraci em 15 de novembro de 1.948.
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  1. Docs.Ints. – Vol. XI – pág 72
  2. Revista do Arq.Publico Mineiro – “Questões de limites entre os estados de Minas e Goiás” – pág.817/818
  3. Mapa dos caminhos a partir de São Paulo, para Minas Gerais e Goyaz. 1780 – Inst.Est.Brasileiros - USP

  1. Docs.Ints.- Vol. XI – pág. 66
  2. Mapa da Conquista – 1784 – Arq.Historico Ultramarino (Lisboa)

  1. Tomo Especial VI da Revista do IHGB – 1957 – págs.276-277
  2. Docs.Ints. – Vol. XI – pág.453
  3.  Carta Patente do Cap.Felizardo Antunes Cintra – Arq.Público Mineiro SC- 371,fls.89v e 90.

     

 

José Limonti Junior
PROBRIG
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Ibiraci

 

         O início do povoamento do Aterrado (antigo nome de Ibiraci), ocorreu onde hoje é o bairro da Santa Helena, ou seja, na margem esquerda do Ribeirão do Ouro. Eram garimpeiros, provavelmente negros, índios e tropeiros que aqui passavam rumo a outros lugares.
Suas casas eram barracos de barro e capim e deviam ser muito simples. A partir da ocupação mineira, em 1816, o Cap.Felizardo Antunes Cintra edifica a capela onde hoje está a Matriz de N.Sa.das Dores e providencia o arruamento e a construção das primeiras casas onde hoje está o centro da cidade. Até o fim do século XIX, as construções eram no estilo colonial português, com muitas janelas e altos telhados; as ruas eram de terra e o transporte feito por animais, carroças e carros de bois. A partir da construção do Jardim de Ibiraci em 1934 e com a chegada automóveis e caminhões, a pequena cidade também foi se modificando, surgindo construções mais simples e modernas, asfaltando-se algumas ruas e contando com algumas modernizações. Já nesta época a economia dependia do café e da pecuária.
Algumas das famílias mais antigas de Ibiraci, são os Freitas, Pedrozo, Barros, Cintra, Silva, Almeida, Andrade, Carrijo, Rodrigues, etc; que através do garimpo, cana de açúcar, café e pecuária, construíram a história de nossa cidade.  

                                                                                 José Limonti Junior                  

 

 

 

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Ibiraci

 

 

Documentos Históricos

 

 

         A história de Ibiraci , que até há poucos anos se apresentava  obscura  e  comum, para todos, de algum tempo para cá, tem sido revelada, através de documentação clara e preciosa, uma história singular. Rica em  situações  únicas, em todo o contexto regional, rica em informações até agora  sonegadas aos seus cidadãos e rica em possibilidades de pesquisas, que venham a enriquecê-la e complementá-la.
A PROBRIG, em cumprimento às suas determinações estatutárias, tem apoiado o trabalho de pesquisa desenvolvido pelo Conselho Municipal do Patrimônio Cultural e através da aquisição de transcrições e  cópias de documentos relevantes , todos com  origem reconhecida e declarada,  concluiu juntamente com este Conselho, que  temos hoje uma série de documentos que indiscutivelmente  configuram  uma  personagem  como  figura referencial  na formação de nossa história.
Ainda que a figura de um “fundador” seja contestada, às vezes com razão, por vários historiadores, sua importância no contexto da formação , organização e identidade de uma localidade é sempre inegável. No caso de Ibiraci, além da comprovação da existência desta figura, o que nos parece mais importante é a sua confirmação  pois isto significa o reconhecimento da existência entre nós, de uma pessoa, que cumprindo ordens expressas, organiza e urbaniza  um povoado, que  apesar de  possuir referências históricas bem antigas, ainda não tinha uma identidade oficial, não passava mesmo de um mero amontoado de pequenas casas que serviam de pouso a garimpeiros e tropeiros.
A PROBRIG e o Conselho Municipal do  Patrimônio Cultural de Ibiraci, consideram, que a divulgação da Carta Patente do Cap. Felizardo Antunes Cintra, é essencial para que , relacionada aos outros documentos  aqui apresentados, se  conclua  com clareza  por quem e porque  é criado  o curato de Santa Maria Magdalena do Aterrado em 01 de outubro de 1824.
Os documentos apresentados em seguida, deixam claro que em 1816, seguindo ordens de S.Majestade, o Governador mineiro, Dom Manoel de Portugal e Castro incumbe  o Cap.Felizardo Antunes Cintra de confirmar a posse mineira sobre o distrito do Aterrado, instalando significativo poder militar na área e providenciando a ereção da Capela, o que  oficializaria  a independência do povoado com relação à sua sede  (civil e religiosa ) anterior, ou seja a Vila Franca. O Cap. Felizardo se empenha  (a partir de 1817) junto ao Bispo de São Paulo, Dom Matheus de Abreu Pereira, em busca da Provisão Eclesiástica  necessária, como também  consegue de Da. Faustina Maria das Neves (em 1819 ) a escritura de doação do Patrimônio, necessário para  atender as exigências do Bispado. Ainda em 1831, por ocasião do primeiro mapa de povoação  do Império, é registrado que  ele ocupa o cargo de Juiz de Paz do distrito, ou seja, 15 anos após a ocupação do território pela Capitania de Minas e 7 anos após o Termo de Vizitação e Bênção (primeira missa da Capela), ele ainda se mantinha como  a maior autoridade do local.
O Capitão Felizardo Antunes Cintra é o responsável pela  fundação de Santa Maria Magdalena do Aterrado, que sucedeu ao antigo Aterrado paulista e que precedeu a Dores do Aterrado (a partir de 1850) e a Ibiracy ( a partir de 1923).
Para documentar esta afirmação é essencial que  os  seguintes documentos sejam conhecidos em conjunto:
Carta Patente do Cap. Felizardo Antunes Cintra, Autos de Capela em favor do Cap. Felizardo Antunes Cintra, Escritura de doação de Patrimônio e Resumo do Mapa de Povoação de 1831.
Compreendemos  que , através de pesquisas futuras, mais documentos sejam inseridos nesta sequência, trazendo maiores esclarecimentos sobre tais fatos, contudo entendemos que a essência dos mesmos não será alterada, apenas enriquecida.    

 

 

 

 

Carta Patente do Capitão Felizardo Antunes Cintra

Arquivo Público Mineiro SC – 371, fls.89v e 90

Felizardo Antunes Cintra – Capitam do Destrito  do Atterrado Termo do Jacuhi.

         D.Manoel de Portugal e Castro do Conselho de Sua Magestade Fidelíssima e da Sua Real Fazenda Governador e Capitam General da Cappitania de Minas Geraes, etc.  Faço saber aos que esta minha Carta Patente virem que attendendo a se achar por prover ao Posto de Capitam da Companhia de Ordenança do Destrito do Atterrado Termo da Villa de São Carlos do Jacuhi, e concorrerem os requizitos necessários para exercer em Felizardo Antunes Cintra, maior de 40 anos e ser esses nas circunstâncias do Decreto de 09 de Outubro de 1812 e ser este hum dos propostos na forma das Ordens pelos Officiaes da Câmara da dita Vila com assistência do Capitam Mor dos Pedestres delle Custodio Joze Dias, esperando delle que em tudo o de que for encarregado do Real Serviço o haverá com presente satisfação, dezempenhando o conceito que (formão) de sua pessoa e pela Faculdade que Sua Magestade me concede no Capítulo 19 do Regimento dos Governadores para o provimento de conceder Postos. Hey por bem fazer mercê de prover ao dito Felizardo Antunes Cintra no Posto de Capitam da Companhia de Ordenança do Destrito acima mencionado que se compõem de 60 soldados com seus (competentes) de oficiaes, sendo obrigado a requerer a Sua Magestade pelo Seu Conselho Supremo Militar Confirmação do mesmo Posto dentro em dous annos que correrão da datta desta em diante, será de ficar sem effeito e se lhe dará baixa assim como rezidir no Destrito  da dita Companhia debaixo da mesma pena tudo na forma das Reaes Ordens uzara o dito Posto enquanto eu o houver por bem e o Mesmo Senhor não Mandar o contrario com o qual não vencera soldo algum nem gozara de todas as benzas, graças, privilégios, Liberdades, ezempçoens e franquezas que em razão delle lhe pertencerem. Pelo que o Capitam Mor das Ordenanças e do Termo da dita Vila lhe dará posse e juramento dos Santos Evangelhos na forma do Regimento e Ordens, e o conheça por Capitam da mencionada Companhia e  Destrito e cazo tal o trate honre e estime, e da mesma forma os officiaes e soldados delle que em tudo lhe obedecerão e cumprirão suas ordens de palavra e por escripto na que pertencer ao Real Serviço tão pontualmente como devem e são obrigados. E por firmeza de tudo lhe mandei passar a prezente  por mim assignada e sellada com o Sello de minhas Armas que se cumprirá inteiramente como nella se contem registrando-se nos Livros da Secretaria deste Governo nos de Matricula Geral Câmara respectiva, e on (folhas 90) onde mais tocar Joaquim Dias Bicalho a fez. Dada em Vila Rica de Nossa Senhora do Pillar do Ouro Preto a 3 de Dezembro Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de 1816. Deste 12.975 reis. O Secretario do Governo João Joze Lopes Mendes Ribeiro a fez escrever. D.Manoel de Portugal e Castro.

 

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         Após a efetiva ocupação do povoado em 1816, o Cap. Felizardo Antunes Cintra, em busca de sua confirmação política, parte para a tarefa de conseguir a Provisão Eclesiástica para a ereção da Capela. Com a ocupação mineira, o Aterrado passou a viver uma situação especial, incorporado à Capitania de Minas Gerais ainda fazia parte do Bispado de São Paulo. Como a ereção de uma capela dependia da autorização episcopal, o Cap. Felizardo se põe em contato com o Bispo de São Paulo, Dom Matheus de Abreu Pereira a partir de 03 de julho de 1817 para alcançar seu objetivo. A documentação é clara em atribuir ao Capitão Felizardo, a iniciativa e a responsabilidade do pleito. Também é clara a exigência de se conseguir uma escritura de Patrimônio, sem a qual não seria conseguida a Licença. Desta forma, os dois documentos, primeiro a seqüência documental conseguida junto ao Arquivo Metropolitano Dom Duarte Leopoldo e Silva da Arquidiocese de São Paulo, no Livro de Autos de Ereções e Patrimônio de Capelas, arquivado na Estante 01, Prateleira 02, Livro 07, páginas 242 a 248 verso; e em segundo, a Escritura de Doação do Patrimônio, passada em Jacuhy em 02 de dezembro de 1819 por Dona Faustina Maria das Neves, onde consta a assinatura do Capitão Felizardo como a última no rol das testemunhas, comprovam o seu envolvimento e a sua participação em todos os passos necessários para se chegar em 01 de outubro de 1824 e acontecer a primeira missa em Santa Maria Magdalena do Aterrado, celebrada por seu primeiro pastor, o Padre Manoel Coelho Vital.

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          Em 1832 é divulgado um Mapa de População onde consta:

Santa Maria Magdalena do Aterrado – Termo da Villa de São Carlos de Jacuhy
Arquivo Público Mineiro
Cx.14 – doc. 05 – 1832/05/28

RESUMO

FELIZARDO ANTUNES CINTRA    -   JUIZ DE PAZ
FOGOS    -    171
TOTAL DE HABITANTES    -   1123
LIVRES   -   797
CATIVOS   -   326

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Ibiraci

 

         No dia 1º de outubro de 1824, o Capitão Felizardo Antunes Cintra fez celebrar a primeira missa na Capela do Aterrado, pelo Padre Manoel Coelho Vital. Como a padroeira da Capela era Santa Maria Madalena, a partir daquele dia o povoado ficou conhecido como “Santa Maria Madalena do Aterrado” e o Capitão Felizardo Antunes Cintra o seu fundador.
Em 1850, ao ser elevada a Freguezia, a localidade mudou também de orago (padroeira), passando a venerar Nossa Senhora das Dores até os dias de hoje como sua padroeira. A partir daí passou a se chamar “Dores do Aterrado”.
Em 1923, pela lei no 843, do dia 07 de setembro, o Distrito de Dores do Aterrado foi elevado a município (cuja instalação se deu no dia 06 de abril de 1924) com o nome de “Ibiracy”, que significa “Mãe da Árvore” no idioma tupi-guarani.
O primeiro prefeito eleito pelo povo, foi o sr. José Rodrigues de Siqueira, em 1947, já que os anteriores o eram por nomeação.
O atual Prefeito Municipal de Ibiraci, é o Dr. Ismael Silva Cândido.
A economia ibiraciense se fundamenta na agropecuária e na geração de energia elétrica. Na agricultura o café é a cultura mais importante e na pecuária a produção de leite e carne são importantes fatores de renda e emprego.
O clima é o Tropical, caracterizando-se por uma estação chuvosa e úmida e outra com o inverno frio e seco.
Os municípios que limitam com Ibiraci são:
ao Norte – Sacramento e Delfinópolis
ao Leste – Cássia
ao Sul – Capetinga e Franca
a Oeste – Claraval.
O principal rio do município é o Rio Grande, sendo que Ibiraci possui várias microbacias importantes, como a do Canoas, do Maçaranduba e a do Ribeirão do Ouro.

PROBRIG / Cons.Munic.Patrimônio Cultural

 

 

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Uma rápida visão sobre a história de Ibiraci
 A origem de Ibiraci é um pequeno povoado, chamado Aterrado, à margem esquerda do Ribeirão do Ouro (onde hoje se encontra o bairro Santa Helena). Pequenos povoados ou grupos de casas feitas de barro, cobertas às vezes de capim, serviam de  pouso para viajantes a caminho de outros lugares e de apoio para os garimpeiros que chegavam à região.
No inicio do século XIX, a região pertencia a Capitania de São Paulo, sendo que os limites eram definidos por marcos colocados no Fundão e no Resfriado.
Em 1805, com a fundação de Franca, seu fundador, Cap. Hyppolito Antonio Pinheyro, construiu um Quartel de Guardas aqui no Arraial do Aterrado, no lugar que hoje conhecemos como Fazenda Quartéis, para guardar a fronteira contra o avanço dos mineiros.
Contudo a região despertava o interesse dos mineiros e principalmente de Jacuhy por vários motivos: Garimpos Produtivos (Ribeirão do Ouro, Ribeirão das Canoas, etc.), pouso estratégico na estrada que levava ao Desemboque e a Goyas e por fim, alguns mineiros influentes possuíam fazendas bastante grandes na região (Guilherme de Barros Pedroso, Padre José de Freitas, de Jacuhy, etc.
Por esses motivos, no dia 12 de janeiro de 1816, um grupo de homens armados, a mando da Câmara de Jacuhy, derruba o Quartel do Aterrado, e avançam os marcos 5 léguas (cerca de 33 km) dentro da capitania de São Paulo, colocando-a as margens do Ribeirão Canoas.
Apesar dos Protestos da Câmara de Mogi Mirim e da Freguesia da Franca, o próprio governador paulista, Conde de Palma, recomendou que não houvesse retaliação e sim tentativas diplomáticas e políticas para que Minas reconsiderasse a atitude. O governador mineiro, Dom Manuel de Portugal e Castro afirmou ao governador de São Paulo que não havia autorizado a ocupação e inclusive oficiou à Câmara de Jacuhy a que retornasse os marcos ao lugar de origem, mas nada foi feito.
O comandante da ocupação, Cap. Felizardo Antunez Cintra passa então a residir no Arraial do Aterrado e em 1817 pede ao Bispo de São Paulo (pois a área estava sob jurisdição eclesiástica paulista) autorização para erigir uma capela.
No dia primeiro de outubro de 1824 é celebrada a primeira missa na capela pelo Padre Manoel Coelho Vital. (Obs. Com a exigência do Bispo D. Mattheus de Abreu Pereira, de que o templo fosse erigido em lugar alto, livre de umidade, etc., o povoado se espalhou também, pela margem direita do Ribeirão do Ouro).
A primeira Capela foi dedicada a Santa Maria Magdalena (talvez reminiscência do Quartel de Santa Maria Magdalena na região de Caldas de onde vieram os militares mineiros, quando da ocupação da região), por isso o nome do Arraial, agora um Curato, consta em alguns documentos como Santa Maria Magdalena do Aterrado.
Como na escritura de doação das terras para a ereção da capela, Dona Faustina Maria das Neves determina que a Padroeira seja Nossa Senhora das Dores, na década de 1840/50, acontece a mudança do orago e muda-se o nome para Dores do Aterrado.
Em 28 de junho de 1850, o curato é elevado a Freguesia.
Pela lei 843 de 7 de setembro de 1923, e’ elevado a município com o nome de Ibiraci e em 15 de novembro de 1948 se instala a Comarca.
Este e’ o roteiro de um pequeno povoado que eventualmente poderia ter desaparecido com o tempo, como muitos outros daquela época, mas que pelo contrario, graças à presença marcante de pessoas que tiveram fé e ideal, aprenderam a gostar e a amar nossa região, em mais de 200 anos escreveram uma historia rica, bonita, às vezes dramática, da qual podemos nos orgulhar, pois conforme um texto escrito sobre Dores do Aterrado em 1874:
“... é uma pequena povoação, e não obstante isso, tem o encargo de ser uma das guarda - fronteiras de Minas”.

(Almanach Sul Mineiro- 1874 – pág.331)
José Limonti Junior - PROBRIG

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Ibiracy

(Etymologia e significação)

 

 

                                       A palavra Ibiracy pertence à língua nheê-gatú, falada pelos tupys e quer dizer “Mãe da árvore”, no sentido rigorosamente etymológico.
Com effeito, compõe-se ella de dois vocábulos, ambos substantivos communs, collocados pela forma aglutinante peculiar dos idiomas fetichicos, em que, dispensado o auxílio de preposição, o termo dominante ou principal vinha em segundo lugar e o dominado ou secundário em primeiro lugar.
Ibira é corruptela graphica de ybyra , que significa “pau, árvore, madeira, vara, viga, tôro, tronco” e como se pode ver no excellente trabalho “O tupi na geographia nacional” (2ª edição, página 223)de Theodoro Sampaio, a nossa maior autoridade viva em indianologia. E cy é palavra que se encontra tanto no nheê-gatú, quanto no abanheê (idioma dos guaranis), sempre com o mesmo significado de “mãe”.
Não trazendo os antigos léxicos o vocábulo Ibiracy, nem Ybiracy, sou levado a crer seja elle de criação moderna, por parte de quem pelo menos conhece a composição própria do tupy-guarany.
Si os nossos índios houvessem chegado ao grau de concepção theológica dos gregos e romanos, o vocábulo composto Ibiracy poderia ser traduzido por “Dryade” ou “Hamadryade”, que eram as “mães das árvores”, no polytheismo anthopomórphico de hellenos e latinos.
Ahi fica meu parecer, salvo melhor juízo.

 

                                       Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 1927.

 

Basílio Magalhães             

 

 

 

Imagens de Ibiraci


Rua do Comércio (hoje 6 de Abril) em 1900


Rua do Comércio (hoje 6 de Abril em 1900)

Cadeia e Fórum de Dores do Aterrado – 1920


Desfile cívico em 1937


Praça Raul Soares – década de 40


Praça Raul Soares – década de 40 .


Vista aérea da Praça Raul Soares – 2006

 
 
Imagens da Capela dos Quartéis – ponto histórico de Ibiraci

 


Amigos na Praça de Ibiraci – década de 50


Mapa turístico e cultural de Ibiraci

 

 

PROBRIG/2011

 

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